A ERA DIGITAL DO ENSINO, O PROFESSOR E O PODER PÚBLICO


*Antonio Goulart

Em plena Era Digital, uma pergunta que não quer calar é: como reter a atenção do aluno da em sala de aula? Antes de dar margem a qualquer pensamento crítico, o foco desse artigo não é questionar a capacidade de um professor. Ao contrário, é propor uma reflexão sobre como o Poder Público pode e deve auxiliar para que este profissional, fundamental para o futuro da nação, tenha condições plenas de exercer o seu papel.

O aluno da Era Digital independe de sua classe social, pois hoje em dia poucos são aqueles que não têm acesso a uma lanhouse ou smartphone. Assim, seu mundo está repleto de informações provenientes da internet e sua forma de adquirir conhecimento vai muito além da sala de aula. Logo, o desafio do professor, a cada dia, torna-se maior.

Uma das alternativas é fazer com que o local de ensino se modernize e conte com recursos que ajudem a prender a atenção e despertar o interesse do estudante. Afinal, quem se arrisca a manter cerca de 30 alunos atentos todos os dias, por pelo menos cinco horas, somente por meio da “explanação e uso do giz”? Com a presença da tecnologia tão intrínseca em nossa vida hoje, é fato que assistir a aulas completamente “analógicas” não é nada estimulante.

Só que essa solução para haver um aumento de concentração, motivação e, consequentemente, de aprendizado, muitas vezes, é entendida como sinônimo de acesso aos aparatos eletrônicos e ponto final.  De fato, dois estudos mostraram que o acesso à tecnologia e à internet ajudaram a melhorar as notas.

A Fundação Carlos Chagas concluiu, após avaliação dos alunos das escolas públicas de um município no interior do Piauí, que desde 2009 estudam com o apoio de lousas interativas, laptops individuais e softwares educativos, que os jovens melhoraram sua média de matemática em 8,3 pontos, enquanto os que não tiveram acesso à tecnologia avançaram apenas 0,2 ponto.

E a Unesco avaliou o desempenho de alunos de escolas públicas no interior de São Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avanço foi de duas a sete vezes em relação aos colegas em salas de aula comuns.

No entanto, como toda questão tem dois lados, há de se ressaltar também uma pesquisa do Ministério da Educação do Brasil, que mostrou que alunos que estudaram, por três anos, em escolas com computador estavam pelo menos seis meses atrasados no aprendizado em relação aos outros.

Dessa forma, fica a pergunta: o sucesso para que haja melhorias no aprendizado em plena Era Digital depende apenas dos equipamentos tecnológicos e da internet? Não. Definitivamente, não adianta substituir caderno por notebook conectado a rede mundial, quadro verde por lousa digital sem estratégia e conteúdos, sem aula preparada pelo professor de forma a fazer um verdadeiro uso dessa tecnologia.

Fim da equação. O sucesso da Era Digital do ensino ocorrerá somente quando duas ações ocorrerem simultaneamente: a inserção da tecnologia na sala de aula e um professor preparado para explorá-la ao lado de seus alunos. E para que tudo isso exista, ou melhor, coexista, é preciso antes um forte trabalho do Poder Público para identificar as tecnologias ideais ao lado do professor, e favorecer a preparação desse profissional a entrar em sala de aula preparado e seguro, pronto para apresentar o que sabe fazer de melhor: facilitar a transferência do conhecimento. Só que agora, com a tecnologia a seu favor.

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